BRINCANDO NAS NUVENS



As nuvens eram meu passa tempo
Colocava um papel apontado para o céu
E as decalcava descobrindo o mundo

Todos os brinquedos que não podia ter
Ali os encontrava
Todas as pessoas que não podia ver
Ali as encontrava
Todas as merendas que sonhava comer
Ali as encontrava

A casa que eu queria ter
Ali a desenhava
O carro que sonhava ter
Ali também o desenhava

Como era bom pensar nas nuvens
imaginar a maciez
E a beleza de olhar o mundo de lá

Parei de decalcar as nuvens...

Elas não apareciam mais no céu
Até mesmo as pipas coloridas
também sumiram
E os brinquedos, as pessoas, as merendas
Já não faziam falta...

As nuvens não poderiam conter as lagrimas
que corriam vez em outra dos olhos
da nossa mãe

As nuvens não poderiam abrandar o aperto
que escorria vez em outra do peito
de meus irmãos

E assim fomos cuidando-nos
e re-significando as nuvens

Elas sumiram do céu
As pipas sumiram do céu
E os brinquedos, as pessoas, as merendas
sumiram do céu

E fincados na terra
fomos brincar de gente grande
casa, carro, família

Nossa infância ficou guardada
E fomos nos perdendo, sem saber o porque
E nos distanciamos, sem saber o porque
E hoje nos encontramos
com os brinquedos conquistados

neste mundo temporal, vendaval
que leva sonhos, emoções, saudades,
mas que deixa tudo registrado no coração!

E as nuvens passaram
Como tudo na vida passará



(Poema escrito na primavera de 2000.)

Comentários

Unknown disse…
Muito singelo seu poema Marcio....me fez lembrar minha propria infância. ..tao xheia de lutas e ao mesmo tempo...tao feliz....Saudades de minha maezinha...Paranens pelo escritor nato q vc é!....abs

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