O passado jardim




No meu jardim

Rosas sorriem na solidão

Pétalas se acariciam

No desejo do orvalho



O podão tenta

Eliminar o ermo

Que sonda o coração

Buscando o sacho

Que ao ir escavando

Volta fofando

As valas do passado



Limpa o peito com o ancinho

E embeleza o que é superficial

Mas as raízes regadas

Profundas transpassam distancia

E quebram muralhas



A vanga corta os excessos

Dos desejos que exalam

Da fotossíntese do ser



Busca então o transportador

Criar espaços para um novo germinar

De florescência apenas

No olhar

No sentir

No desejar



Pois a realidade

É um flat vazio

Sem flores

Sem vida

E o peito apertado

Pedindo a companhia de outrora

Olhando à janela

O jardim de concretos

E sonhos desfeitos

Comentários

Mauro disse…
Muito bom ...

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