DELIRIOS NA CELULOSE






Nesta noite
Delirava em papeis amarelados
... Decifrando-me em impressões de outrem
e sorvendo o malte prometido
à despedida das ultimas gotas que se exalam
Submerso em lembranças
Onde o fogo de tenra idade se esvaiu,
Segurei-me mais uma vez
Inspirei... Respirei...
Adormeci... em seguida o despertar
Como? Não sei.
Mas recomecei...
Corrigi o caminho
Titubeei
Mas não caí no fosso,
Não via o fundo
Nem o verso
Mas com o Scotch companheiro
Procuro a razão no mundo
Deste viver astuto
Para quem sobrevive
E vivo, vivendo sou livre...
Sou livre.... Livre!
Mesmo aqui nesta Sampa Plural
Por onde versam punhal, crackal na rua Gletal
E vou e volto tornando-me o que um dia fui
Impus a caneta e eis-me aqui novamente
E assim vou sendo a compreensão daqueles que me criam
À sua própria maneira e espelho

O copo já vazio e a página cheia
Assim mais uma dose desvendará
Meus ocultos sabidos
Segredos letárgicos
Que a arte desvenda
Sucumbo aos pactos e fujo do mundo inteligível
E o ultimo gole me convida a compartilhar
O sono com os cobertores e lençóis nesta noite frigida
A despedida, enfim.
Convidando ao fim
Tudo que tenho agora é a garganta seca
A alergia companheira dos ácaros
Que enrubesce os olhos
O corpo trêmulo do frio que me invade
As mãos cansadas que os versos renunciam
Chega o meu instante, a iminência do sono
A megametrópole me espreita ao amanhecer do dia !!!

Comentários

Anônimo disse…
excelente!!! bom d+++

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